Ellen DeGeneres falou pela primeira vez sobre a experiência traumática que viveu na infância. Numa recente emissão do programa ‘My Next Guest Needs No Introduction with David Letterman’, a apresentadora recordou a sua adolescência e falou da mãe, Betty DeGeneres, que se casou com um “homem muito mau”.

PUB Ellen explicou que logo depois da mãe se ter casado com o tal homem, foi diagnosticada com cancro da mama e teve que se submeter a uma cirurgia para retirar os seios. Nessa altura, o companheiro da mãe usou essa informação para abusar sexualmente da apresentadora. DeGeneres contou que uma vez, quando a sua mãe estava fora da cidade, o padrasto alegou que “tinha sentido um caroço no seio e que precisava de sentir os seios” da apresentadora. “Conseguiu convencer-me de que precisava de sentir os meus seios e tentou fazê-lo de novo, e noutra hora”, continuou, abrindo-se sobre o seu passado. Entre os detalhes revelados, Ellen lembrou: “Ele tentou arrombar a minha porta e eu dei um pontapé na janela e corri porque sabia que aquilo iria ser algo mais… não queria dizer à minha mãe porque estava a tentar protegê-la e sabia que isto iria arruinar a sua felicidade”, acrescentou, referindo que sentiu “raiva” de si mesma por não ter conseguido enfrentar a situação. “Estava muito fraca – tinha uns 15/16 anos”, adiantou. Ao partilhar o seu testemunho, Ellen espera poder ajudar outras pessoas que estejam a passar por situações semelhantes. “É uma história realmente horrível e a única razão pela qual entro em detalhes é porque quero que outras raparigas nunca deixem alguém fazer-lhes o mesmo”, explicou. A apresentadora não ficou por aqui e lembrou o momento em que conseguiu contar à mãe o que se tinha passado: “Nunca devia tê-la protegido. Devia ter-me protegido a mim e não lhe contei durante alguns anos, até que lhe disse. Ela não acreditou em mim e ficou com ele, até que finalmente o deixou”. Falando da sua relação com a mãe, a estrela de ‘The Ellen DeGeneres Show’ afirma que sempre cuidou da progenitora, apesar de admitir que “gostava que ela tivesse acreditado em si”. Um episódio que hoje partilha para ajudar outras vítimas de abuso sexual a terem também iniciativa de se manifestarem, sem medo. “Nós [mulheres] sentimos que não somos dignas, ou temos medo de ter voz, e temos medo de dizer não. Essa é a única razão pela qual eu acho importante falar sobre isto porque há tantas raparigas jovens e não importante quantos anos tens. Quando vejo pessoas a falar, especialmente agora, irrita-me quando não acreditam nas vítimas, porque nós não inventamos as coisas. […] É o momento de termos voz. Está na hora de termos poder”, disse.